Servindo ao Senhor com Intensidade e Compromisso

Servir…, não há outra maneira de viver o evangelho a não ser através do serviço. Jesus de Nazaré viveu e morreu servindo. Por inúmeras vezes, os evangelistas registraram que sua missão era servir. Isso fica muito claro em Mc 10.45: Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos, e na cena pedagógica do lava-pés (Jo 13.1-17).

Embora possa parecer contraditório ao que escrevi acima, afirmo, sem medo de errar, que a única missão da igreja de Cristo é evangelizar (Mc 16.15; Mt 28.19-20). O grande problema está no conceito. Tudo depende da forma como compreendemos a missão que Jesus nos designou. Daí surgem as interpretações reducionistas, dividindo o indivisível, criando uma igreja esquizofrênica, que separa o espiritual das demais áreas da vida. Dessa forma, criamos uma classe de crentes “espirituais” e outra de adeptos ao “evangelho social”. Na sua essência, essa divisão é herética. Traz em seu bojo uma forma dualista de ver o mundo e, por isso mesmo, precisa ser combatida, pois prega mais a filosofia maniqueísta do que o evangelho de Jesus.A igreja cristã, por sua própria natureza, é uma agência missionária de serviço. Se ela deixar de evangelizar, ou seja, de pregar a “boa notícia” do evangelho, ela não é igreja cristã. Evangelizar é viver como Jesus viveu. É estilo de vida. É viver “encarnado”, servindo em amor o próximo. No entanto, isso não exclui o kerigma, ou seja, o anúncio e a proclamação do evangelho. Jesus amou em cada ação realizada e em cada palavra anunciada. Tudo que fez e falou era sinônimo de serviço, seja ao próximo ou a Deus. Com Jesus, compreendemos o que certo teólogo ortodoxo escreveu: A minha fome é meu problema material, a fome do meu irmão, é o meu problema espiritual.

A IPI do Brasil tem um histórico equilibrado de viver a fé cristã. Temos procurado coerência entre o que vivemos e o que pregamos. Temos uma boa doutrina, aliás, isso deveria ser óbvio, pois a doutrina cristã genuína é essencialmente bíblica. Boa parte de nossas igrejas realizam cultos racionais, em ambiente de adoração espiritual. Nossos templos, geralmente, são simples, porém, aconchegantes, e o povo que neles se reúne é bastante acolhedor. Nossos defeitos não são ocultados, nem nossas virtudes imperceptíveis. Por este Brasil afora, temos diferentes ministérios sendo realizados, dentre eles, destacamos o Ministério de Ação Social e Diaconia. Quantos trabalhos lindos! Quantos projetos sociais relevantes!

Recentemente a Associação Bethel recebeu um clamor, a exemplo do ocorrido com Paulo em Trôade, quando um homem clamava: Passe à Macedônia e ajude-nos (At 16.9). O fato ocorreu com a 2a IPI de Jacareí que, vivendo o evangelho de forma intensa junto a pessoas em situação de rua, pediu o apoio de Bethel para que pudesse ampliar e profissionalizar o atendimento. Assim, mais uma Unidade Prestadora de Serviço estará nascendo. Homens que, depois de passarem por um processo de recuperação, dificilmente teriam para onde ir e alguém que os apoiasse no intuito de escreverem uma nova história de vida, encontrarão, na casa de apoio e na vida desses irmãos, uma família e o amor de Jesus em forma de gente.

Creio que precisamos resgatar a intensidade de nosso compromisso para com o serviço de Deus e de amor ao próximo. As páginas da história da igreja cristã e da própria IPI do Brasil registram exemplos lindos de pessoas que viveram intensamente sua fé, dentre as quais podemos destacar: Dorcas, a discípula amada por suas boas obras (At 9.36); Francisco de Assis, que viveu na Itália entre os anos 1182 a 1226, cujo exemplo de amor e serviço aos pobres transcende o tempo e as religiões; Othoniel Mota, pastor, educador e um dos fundadores da IPIB, que em 1922 fundou “Bethel – Lar da Igreja”, hoje Associação Bethel, e em 1928 fundou a Associação Evangélica Beneficente, AEB. São duas instituições conceituadas e de grande relevância nos serviços prestados ao povo brasileiro; Lauro Monteiro da Cruz (1904 – 1989), presbítero da 1a IPI de São Paulo, evangelista, médico, professor da USP e político, tendo sido deputado federal por 5 legislaturas. Sobre ele escreveu o professor José Reis, na revista Ciência e Cultura: […] honrou o mandato como muito poucos o fizeram em toda história do parlamento brasileiro. Foi autor de inúmeros projetos de lei que até hoje beneficiam os menos favorecidos. Por fim, Carlos René Egg (1912 – 1982). Seu lema era viver de acordo com o texto de Mateus 20.26-28. Foi um dos grandes líderes da UMPI e das Atividades Leigas em geral de nossa Igreja. Junto à Bethel e à Missão Caiuá, construiu uma linda história de dedicação e serviço. Foi deputado estadual por São Paulo e secretário de ação social no governo de Abreu Sodré. Escreveu uma linda história de exemplo de vida, de caráter e de amor ao próximo. Tive o privilégio de conviver com ele em Sorocaba e, em 1981, foi instrumento de Deus para me alertar sobre meu chamado pastoral. De tal forma que para mim é uma honra continuar em Bethel o trabalho que ele tanto amou.

Vivemos um tempo em que há escassez de referenciais na área social. Precisamos resgatar a relevância do dom da misericórdia para, desta forma, influenciar uma nova geração de pessoas que vivam intensamente o compromisso de amor a Deus e ao próximo.

Rev. Agnaldo Pereira Gomes
1º Vice-presidente da Assembleia Geral
Pastor da Quarta IPI de Sorocaba

http://www.ipib.org/palavra-da-diretoria/64-serie-2016-fidelidade/2202-servindo-ao-senhor-com-intensidade-e-compromisso